Thursday, February 03, 2005

Era uma vez uma fábula

... E uma fábula começa como todas as fábulas com um Era uma vez um cara pálida que possuía um passaporte europeu cinco estrelas com visto de trabalho norte americano que lhe abria todas as portas dessa fortaleza inacessível de muralhas imensas pedregosas intransponíveis que é a Europa, cara pálida que navegava no Mr do Norte a bordo de um ferry boat que momentos antes deixara para trás uma ilha que nascia como uma protuberância do meio de um grande oceano e que era governada por uma rainha velha e presunçosa como o resto dos seu subdítos são porque a ilha na qual habitam era tal e qual como eles: fria e inóspita a qualquer sentimento de felicidade e alegria e seguindo o movimento contrário ao êxodo do rebanho humano o nosso cara pálida fugia para países mais baixos onde imperava a liberdade e amizade entre todos os povos mas quando o barco aportou nesse território quimérico encontrou certas e inesperadas dificuldades porque apesar do seu maravilhoso passaporte abre fronteiras ele afinal de contas era um tipo escuro estilo latino sul americano e todos os seus dados foram esmiuçados ao mais ínfimo dos pormenores e só quando a sua origem de cara pálida foi comprovada com sendo inegável deram-lhe a licença par entrar nesse outro reino de países baixos onde perdido de todo e qualquer contacto humano viajou vinte horas seguidas na solidão de um comboio até chegar a uma Amesterdão de muitas etnias onde de madrugada noite cerrada sem o contacto visual do irmão de sangue que não o esperava como fora combinado viu-se obrigado a calcorrear um deserto de ruas gigantescas apinhada de loucura promiscuidade e pecado encontrando a segurança apenas nas traiçoeiras luzes de nêon que se agitavam na noite escura e depois de bater à porta de todos os hotéis baratos que encontrava, depois de ter recebido um redondo e conclusivo não á perguta, tem quartos livres, vistiu um velho e grosso casaco de fazenda preta, amarrou uma das alças da mochila a uma das pernas e adormeceu desassossegado num banco de jardim.

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