Revelações
e numa noite de desassossego velhos cães raivosos e solitários atravessam a imensa floresta virgem tocando ao de leve o solo que rangia de dor fruto das garras que eram contundentes agressivas mortíferas pintadas de um vermelho sangue ressequido de outras mortes que se escondem nas longínquas paragens das recordações
eram como lobos sedentos de almas perdidas que percorrem caminhos batidos por um milhar de gerações mortas pela força de um instinto que não desejam que não criaram que não regatearam
eram como animais grotescos que nos entram nos sonhos sem serem convidados sem bateren à nossa porta sem serem desejados
eram como gárgulas aladas que voam em círculo em ares pútridos carregados de enxofre que nos expiam lá do alto esfomeadas do nosso corpo mutilado e moribundo
e frenética, uma feiticeira dança em círculos, ao nosso redor, lançando grunhidos e profecias acerca do nosso futuro e condenação
e uma leve brisa nasce no ar quente e pesado e uma pequena nuvem de pó levanta-se no deserto seco árido pedregoso de dunas que se perdem no horizonte e transforma-se na imagen daquele outro que nos castiga e persegue
e nesse instante captado pela fotografia mental somos o centro do mundo porque num plano superior alguém nos vigia os pensamentos
e lentamente como a prova da passagem inexorável do tempo as luzes extingue-se e na escuridão uma cintilante folha do verdadeiro livro pintada a ouro reluz caída do vácuo e poisa docemente nas lajes de mármore branco de um templo habitado por espectros de deuses e deusas menores que se extinguiram por falta de adulação de sacerdotes que foram devorados por esse gigante de olhos cor de inferno e mandíbulas retrácteis que cospem fogo
e quando nos debruçamos para ler as leis sagradas dessa fé esquecida somos cegados pelo esplendor da sua beleza e envenenados pelo travo azedo da sua vingança
e quando já condenados gritamos com o desespero de um corpo que luta pela vida que mantém a chama acesa da esperança que roga a um deus desconhecido que nunca se apresentou que acabe ali mesmo com o próprio tempo
e nesse instante somos projectados para um precipício de escarpas mortíferas e contundentes pela não violenta de um anjo ate que...

0 Comments:
Post a Comment
<< Home