Monday, December 19, 2005

Sul

...e ele, só ele! testemunhava a sua glória e a sua razão, sibilou-me o puto irrascivel, o Profeta de olhos de céu azul pálido, o mercador das novas paisagens, o homem despedaçado que procura a salvação, o poeta maldito, o vivo amortalhado que se escondia no esquecimento desse inferno de fé que este fraco poeta nunca almejará por falta de génio e coragem porque a espiritualidade nunca existiu, só as quimeras, essas visões de realidades distrocidas e imperfeitas da noite escura vencida pela madrugada quente de abobada pintada de vermelho fogo com finas e ténues nuvens decoradas de purpura, com andorinhas esvoaçantes e insectos pesarosos que a custo se movimentavam no ar quente e pesado e palha seca erguida para a morte sobre planícies de extenções a perder de vista e velhas arvores resistentes e teimosas de profundas raizes e ramos cançados e movimentos estaticos e casas abandonadas de telhados derrubados e paredes carcomidas e portas arrombadas e pó e sujidade e o castanho terra da sua estrutura e o negro do seu interior que o zénite do Sol nunca conseguiu vencer, o Sol, o Sol do Sul que nos apresentou a boas-vindas nessa estrada de alcatrão compacto que estremecia com a passagem de velhos camiões empoeirados e ronfentos, esse Sul, o Sul que finalmente nos abriu as portas...

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