Espera
... depois procurei o terminal de Bus. Desci uma íngreme viela que se contorcia em curvas até ao porto marítimo. A certa altura passei por uma habitação desfeita em obras. Do interior ouvi o som do trabalho, estrondos de ferramentas a derrubar paredes confundiam-se com as vozes ásperas dos homens que gritavam para se poderem entender. Recordei a minha adolescência e desejei entrar.
Qando finalmente cheguei ao porto marítimo onde enormes barcos transatlânticos descansavam num mar inerte encontrei o terminal. Um local pequeno e suado de paredes amarelas de sujo com bancos corridos em todo o perimetro e um pequeno guichet a uma canto onde no interior, protegido por um grosso vidro, um homenzinho de meia-idade suava todo o seu desespero. Comprei um bilhete de só ida para Almeria; comparei a hora de partida do bilhete com o redondo relogio de parede que lentamente esgotava o tempo e descobri que possuía duas horas de espera.
Senti fome. Pegado ao terminal de bus um bar. Sentei-me ao balcão e enquanto esperava pela tostada acendi um cigarro.
Entretanto um velho cão entrou no terminal, estava sujo, velho e fatigato. Tinha pêlo cerdoso preto que parecia cair-lhe dos lombos que eram redondos bojudos opulentos; um gordo rafeiro bem alimentado que ofegante e de lingua pendente a escorrer saliva procurava a frescura na penumbra de um canto esquecido pelo resto do mundo.
Momentos depois a tostada, acabei-a, e acendi mais um cigarro. Fui bebericando o café em pequenos goles.
Olhei o rafeiro, já dormia...

0 Comments:
Post a Comment
<< Home