Thursday, April 28, 2005

Um fim submerso em chuva

... que é como um tubo de ensaio de um poeta menor que se afogou nas densa e profundas águas da ociosidade e que agora se vê submergido por todos os detritos que nasceram dessa imaginação doente e febril que o deixou postrado a uma existência indigna de registo e seguindo essa mesma linha de pensamento decide acabar aqui e agora com todas as ilusões de arauto da liberdade fazedor de milagres representante do amor possuidor da esperança e pôr término a esta história que de arrasta e deixa atrás de si um rasto de incopetência e futilidade ficando apenas a leve impressão que se o tivesse desejado com mais crença poderia ter construído algo de mais importante com a sua vida porque no fundo de todas as questões reside a fé que esse irmão de sangue nunca perdeu, nem mesmo quando o tal compatriota o mandou tirar os sapatos para que pudesse entrar em casa, eu recusei-me e fiquei à porta a fumar um cigarro; nem mesmo quando saiu depois de quinze minutos com os sapatos nas mãos e peúgas esburacads nos pés; nem mesmo quando me disse que quem queria arrendar o quarto que era incrivelmente pequeno e exorbitantemente caro era um casal de romenos exploradores; nem mesmo quando voltou á paragem do autocarro onde uma africana linda como as terras da sua origem esperava esse meio de transporte dos tempos modernos cumprimentando-o a ele, prícipe das terras núbias e não a mim, um simples cara pálida; nem mesmo quando voltou a essa Amesterdão de todas as dificuldades e barreiras burocráticas mesmo para quem tenha um passaporte cinco estrelas abridor de todas as portas; não, não perdeu a fé, e por essa razão continuamos a nossa viagem debaixo de uma chuva miudinha à procura do simples esquecimento na direcção do desregramento de todos os sentidos que nos foi ensinado por esse grande poeta que reiventou a palavra maldito.

Thursday, April 14, 2005

Viagem ao Oriente

...caso contrário és condenado ao esquecimento trabalhos forçados tortura e morte e é por essa razão que este hoemem exausto pela vida abandona as visões proféticas de uma poesia opaca e esbatida e resolve dedicar-se exclusivamente às descrições simples de um quotidiano exasperante e aborrecido de um viajante que depois de horas de incerteza e espera encontra um amigo que o leva a uma estação ferroviária onde evadida do panteão hindu uma deusa de contornos voluptuosos vestida de diamantes pérolas e outras pedras preciosas com os cabelos escuros escorridos e sedosos que se prolongavam até ao fundo das costas e com os pés delicados ornamentados com pequenas campainhas douradas que tiniam ao mínimo movimento e mãos finas e gentis que docemente rasgavam o ar dançava ao som de uma cítara que tinha o poder de para o tempo abrindo na minha direcção um sorriso de sedução para que eu a amasse e ensinando-me por intermédio de telepatia todas as posições e contorções dessa ciência ancestral de prazer e sexo e completamente inebriado pelos licores do seu corpo que exalavam o perfume das mil flores do jardim luxuriante de templo onde habitava eu entro numa carruagem de estofos laranja vidros duplos e conforto de primeiro mundo que me transportou para um subúrbio cinzento parado e moribundo que recolhe e abraça todos aqueles que a tez mais escura faz recuar para a periferia porque mantenham-se unidos se querem sobreviver e depois de alguns minutos de viagem deixamos a carruagem no momento exacto em que se abateu sobre nós uma chuva miudinha que não dava tréguas aos transeuntes que fugiram em todas as direcções deixando-nos a sós a mim e ao meu amigo com um estranho compatriota que detinha uma promessa de habitação e abrigo mas que se encontrava longe do local onde estavamos pelo que fomos obrigados a subir para um autocarro que nos deixou depois de meia hora de questões e interrogações das quais nenhum dos três possuia a coragem de formular em voz alta à porta de uma enorme construção com mais de vinte andares de altura mais triste que o próprio tempo, mais escura do que a pele das gentes que o habitavam, mais inverosimil do que esta história...

Thursday, April 07, 2005

Falha Humana

...que se contenta com as míseras migalhas que a vida lhe dá em termos de esmola que ele subserviente reclama com as mãos sujas de miséria estendidas ao céu à procura de uma benção divina que nunca acontecerá porque sobrevive se tiveres forças para tal ordena a natureza que nos criou e que não tem paciência ou pachorra para os mais fracos deste mundo que pululam e orbitam à volta de um sonho que nunca será realizado porque os mais fortes esses continuaram a manter a sua posição procriando seres ainda mais fortes do que eles por intermédio da colonagem e da manipulação genética barrando o caminho e destruindo todas e qualquer tipo de aspirações que os mais fracos formulem no seu espírito já de si com defeito de fabrico porque a entidade divina seja ela qual for ao criar a humanidade viu-se impossibilitada de criar todas as criaturas fortes porque quem irá comer quem questionou-se supreendida pela complexidade do problema, bem, tentou responder, é melhor cria-los aparentemente todos iguais para que no futuro não haja reclamações e devoluções à procedência e quando todos acreditarem que são iguais feitos da mesma matéria com os mesmos atributos físicos e intlectuais zás pum catrapum abençoo meia dúzia retirando-lhes para isso a alma e por essa razão todo e qualquer atributo humano ou melhor humanitário e tudo se efectuará na mais completa harmonia porque se os milhões estiverem subordinados à meia dúzia não haverá dissensões ou discussões porque imaginem se todos possuíssem o direito de pensar, surgiriam milhões de opiniões diferentes e nunca chegariam a nenhum consenso e o mais importante é que os irmãos não discutam entre si e se há entre eles os que estão sujeitos a morrer de fome doença ou guerra o mal o menos porque foi exactamente por essa razão que os criei como máquinas reprodutoras que se perderam pelos quatro cantos do mundo levando consigo todas as imformações genéticas necessárias das quais a que assume uma impotância fundamental e primordial é: subordina-te ao mais forte e não abras a boca nem protestes caso contrário...